Pessoas acometidas por cardiopatia grave podem ter direito à isenção de Imposto de Renda sobre determinados rendimentos, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação.
A cardiopatia grave está entre as doenças relacionadas no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988, que prevê a isenção sobre determinados proventos de aposentadoria ou reforma.
Pode.
A legislação inclui expressamente a cardiopatia grave entre as moléstias que podem dar origem à isenção.
No entanto, não é qualquer problema cardíaco que se enquadra nessa hipótese. É necessário que a condição seja caracterizada como grave, conforme os elementos médicos do caso concreto.
Por isso, o diagnóstico específico, o histórico clínico, os tratamentos realizados e a documentação médica são relevantes para a análise.
“Cardiopatia grave” não corresponde simplesmente a qualquer doença do coração.
A caracterização depende da avaliação médica e das condições clínicas apresentadas pelo paciente. Situações como doenças cardíacas importantes, comprometimento da função cardíaca, determinados procedimentos e outras condições podem ser consideradas na avaliação, mas não existe uma lista simples que permita concluir, apenas pelo nome da doença, que a pessoa possui direito à isenção.
Por isso, é importante analisar a documentação médica e as circunstâncias específicas de cada caso.
Não necessariamente.
O Superior Tribunal de Justiça entende que a isenção de Imposto de Renda por moléstia grave não depende da demonstração da contemporaneidade dos sintomas.
Em decisão envolvendo especificamente cardiopatia grave, o STJ reafirmou que o sucesso do tratamento e a ausência de sintomas atuais não afastam, por si só, o direito à isenção.
Assim, uma pessoa que teve cardiopatia grave e atualmente apresenta melhora ou está sem sintomas pode ter sua situação analisada para verificar a existência do direito.
A isenção prevista no art. 6º, XIV, não alcança indistintamente todos os rendimentos.
O STJ já decidiu que a isenção está vinculada aos rendimentos previstos na legislação, não sendo aplicável, por exemplo, aos salários de pessoa que continua trabalhando, ainda que possua cardiopatia grave.
Por isso, é importante verificar qual é a natureza do rendimento recebido antes de concluir pela existência da isenção.
Em determinadas situações, pode existir a possibilidade de restituição de valores de Imposto de Renda descontados indevidamente.
O período que pode ser analisado e os valores eventualmente recuperáveis dependem das circunstâncias do caso, da documentação disponível e dos prazos aplicáveis.
O STJ possui entendimento de que, em determinadas situações, o termo inicial da isenção pode ser relacionado à data em que a doença foi comprovada, inclusive para fins de restituição.
A cardiopatia grave está expressamente prevista entre as hipóteses de isenção de Imposto de Renda.
Mas o direito não decorre automaticamente de qualquer diagnóstico cardíaco. É necessário verificar a gravidade da condição, os documentos médicos e, especialmente, a natureza dos rendimentos recebidos.
Além disso, a melhora do quadro clínico ou a ausência de sintomas atuais não afasta, por si só, a possibilidade de isenção.
Uma análise individual pode ajudar a verificar os requisitos legais e a documentação necessária.
Atendimento individualizado e análise jurídica conforme as particularidades de cada situação.
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